quarta-feira, 16 de março de 2011

Focolares lembram 3º ano da morte de Chiara Lubich

Segunda-feira, 14 de março de 2011, 19h02

Nicole Melhado

Da Redação


Montagem sobre fotos / Arquivo
Chiara Lubich foi uma das personalidades mais respeitadas na atualidade. Ela pregava a unidade entre as pessoas, raças e religiões

“O tempo presente pede, a cada um de nós, amor, unidade, comunhão, solidariedade. E chama, inclusive as Igrejas, a recomporem a unidade há séculos dilacerada… É o primeiro e necessário passo rumo à fraternidade universal com todos os homens e as mulheres do mundo”, salientou Chiara Lubich aos membros do Movimento dos Focolares.

Nesta segunda-feira, 14, os membros do Movimento dos Focolares em todo o mundo lembram os 3 anos da morte daquela que dedicou toda a sua vida na concretização da unidade entre todos os filhos de Deus.

Em diversos lugares do mundo são realizados eventos em memória da fundadora do Movimento dos Focolares, “em algumas cidades, ruas, escolas e parques são dedicados a ela; em outras, são celebradas Missas presididas inclusive por bispos ou cardeais; em outras ainda, são realizados grandes e pequenos encontros”, conta a presidente do Movimento, Maria Voce.

Na cidade de Trento, na Itália, onde nasceu Chiara, foi realizado neste domingo, 13, um encontro ecumênico internacional intitulado: “Chiara Lubich: Uma Vida, um Carisma pela unidade dos cristãos”. Evento esse que contou com grande participação de membros de 20 Igrejas, de 36 países, de 17 idiomas diferentes.

“Promovendo o amor recíproco entre indivíduos e povos, abriu diálogos em todos os níveis para contribuir na realização da paz e da unidade da família humana. São testemunhas disto as inumeráveis pessoas que vivem em todo o planeta a 'espiritualidade de comunhão' que ela nos deixou como herança”, destacou a presidente dos Focolares em sua mensagem pela ocasião.

Santidade Coletiva: novidade levada por Chiara

Santidade coletiva é um conceito novo trazido por Chiara Lubich e pelo Movimento dos Focolares, e segundo uma das responsáveis pelo Movimento no Brasil, Glória Silveira Duarte, neste momento da história essa forma de santidade é uma exigência. “Neste momento da Igreja vem mais em relevo a santidade do grupo que caminha junto do que uma santidade individual. E nesse caminhar para Deus junto aos irmãos a santidade é quase uma consequência do amor e da caridade para com o irmão”, explica Glória.

Chiara via em cada pessoa um candidato a unidade, e justamente por esse dom, o carisma da unidade doado a ela por Deus, Chiara dedicou toda a sua vida. Na busca por realizar o testamento de Jesus “Que todos sejam um”, ela não via barreiras, via todos como irmãos, criando pontes de diálogo nos diversos âmbitos da sociedade, fazendo surgir movimentos específicos no campo da política, sociologia, ecologia, artes, comunitária, saúde, entre outros.

A fundadora do Movimento dos Focolares também estabeleceu diálogo com as grandes religiões como o Budismo, Induísmo, Islamismo e Judaísmo. “Isso não significa um sincretismo. Ela era católica, tinha sua fé bem fundamentada, e justamente por isso, porque tinha essa convicção grande em si, ela podia dialogar com as outras religiões, partindo dessa fé em um Deus que é amor que ama todos os homens e morreu por todos. Nisso ela fundamentou a sua vida”, destaca a representante dos Focolares.

Para a Igreja Católica e para toda a sociedade, Chiara trouxe a realidade do amor universal, que começa no âmbito familiar, com as pessoas no qual se convive e amplia-se até chegar aos mais distantes. Glória conta que o mair desejo de Chiara era chegar diante de Deus trazendo a humanidade nos braços, queria levar todos a Deus.

“Que todos sejam um”: essa é a premissa do Movimento dos Focolares, é a vivência do amor recíproco que constrói a unidade.

“No amor recíproco temos a possibilidade de ter Jesus no meio de nós, como Ele prometeu, onde dois os mais estiverem reunidos em seu nome - que significa no seu amor, vivendo o seu mandamento novo - Ele está no nosso meio, Ele pode realizar a unidade, só Ele pode realizar. Com ele entre nós a unidade é possível”, elucida a focolarina.

Segundo Glória, a principal herança de Chiara deixada aos membros de sua obra é o amor recíproco que só é possível viver no amor a Jesus Crucificado e Abandonado. “Na imitação de Jesus que na cruz dá tudo por amor, nós podemos dar tudo pelo irmão e viver esse mandamento novo”, enfatiza.

Conhecido também como Obra de Maria, o Movimento dos Focolares se caracteriza por sua presença mariana, na tentativa de doar Jesus ao mundo.

“A caneta não sabe o que deverá escrever, o pincel não sabe o que deverá pintar e o cinzel não sabe o que deverá esculpir. Quando Deus toma em suas mãos uma criatura, para fazer surgir uma obra Sua na Igreja, a pessoa escolhida não sabe o que deverá fazer. É um instrumento. Creio que este é o meu caso. Eu sou nada, Deus é tudo. Quando a aventura iniciou, em Trento, eu não tinha um programa, não sabia nada. A ideia do Movimento estava em Deus, o projeto no Céu”, disse Chiara em 1977, no Congresso Eucarístico de Pescara, na Itália.

Chiara Lubich nasceu em 22 de janeiro de 1920, em Trento, morreu em 14 de março de 2008, em Rocca di Papa. Seu movimento está presente hoje 182 países, conta com cerca de dois milhões de aderentes e simpatizantes, predominantemente católicos, além de milhares de cristãos de 350 Igrejas e comunidades eclesiais e diversos seguidores de outras religiões.

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